domingo, 25 de outubro de 2009

em busca de estrelas (ou eu vi um mundo)


por Luís César Padilha


Não basta que a luz esteja distante, ela busca outra direção. Revela os medos. O gelo passeia pelo corpo. As coisas passam. As decisões ameaçam... as vontades... as verdades.


As imagens incertas são descuidos da fraqueza. Não vejo a Baía de Todos os Santos dali daquele convento. Nem posso procurar pinguins do solar. Contar estrelas cadentes. A lua que foi o presente.


Luz pede palavras. Virá quando houver raios que expulsem a dor. Chegue como se fosse a próxima chance de sair daqui dessa explosão de lágrimas. Luz, entenda seu itinerário.



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segunda-feira, 22 de junho de 2009

No cais das circunstâncias



(por Luís César Padilha)

Se eu quis lembrar, não foi, por assim dizer, tão cinza. E se a retórica do assim vos convence, não me diz. Os sinais simbolizam ventura. Os ruidos harmonizam decibéis. O patchouli corre nas seivas. O andante, entre os becos, procura as fôrmas escondidas no breu para resenhar em versos sua nova história. As vistas estão obtusas entre o esmo e os ismos, jogando seus jugos nas encostas morais. A nova história é tão assim azul, que não alcança a eloquência errante. Está compendiando conseguir ser assim.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Crônica noturna


(por Marcelo Silva)


Hoje estou velho, e muitas das pesadas rugas que carrego no meu rosto não são minhas, são das preocupações e das angústias que a dona trouxe para mim. Tais preocupações sedaram minhas pálpebras, em plena meia noite me jogaram pena e papel na mão, roubaram-me mais que o sono, roubaram-me os sonhos e coloraram eles em lugar inalcançável.


Tenho ainda tanto medo, mas consigo também me admirar. Pelos céus não existem saídas, as informações estão todas presas, condenadas ao esquecimento. Nunca vamos sair desse mundinho, somos como líquen, musgo ou algo parecido, vegetamos sobre a face da terra num estado de consciência bem própria, achou difícil de entender? Só quero dizer que somos infinitos para fora e para dentro.


Hoje estou velho e sozinho, todos aqueles que um dia gostaram de mim se afastaram me amaldiçoando, fiquei agressivo, anti-social, fui treinado para isso. Alguém que me deixou cego e viciado utilizando a palavra amor, se aproveitou das minhas fragilidades, e me trouxe solidão apesar da euforia, e me trouxe raiva apesar do tesão, e espalhou discórdia apesar da companhia, mas nunca me trousse paz.


Não rompi estes muros e, depois dos desenganos, percebi o quanto eu estive errado, o quanto permiti a mim mesmo ser submisso, estar sempre de joelhos, agora não dá mais para corrigir, estou velho e cada vez mais orgulhoso, e cada vez mais só.


Que merda de homem que fui, rancoroso, incapaz de sorrir, preferindo a tristeza sem razão ao invés de buscar uma razão e ser livre.


Eu tinha um velho cachorro, um cachorro perdigueiro e ele saltava muros, mas eu não saltei os muros quando devia, me rendi a caprichos dominadores de um amor que foi meu parasita, que me deixou assim: mais covarde que meu velho perdigueiro. Queria partir sem rumo, andar por aí, garanto que meu cachorro conseguiria, mas eu não consigo, me botaram coleiras e eu não sei pular muros.


O tempo se passou para mim, se pudesse ter sido diferente, eu seria menos coitadinho e leria mais outro livro, eu seria menos depressivo e sorriria pra uma criança, se pudesse ter sido diferente eu jamais trocaria os meus verdadeiros amigos pela mulher possessiva e manipuladora. Ah, se tivesse sido diferente meus sonhos de revolução sairiam do sofá e virariam cultura...


Talvez o fim tivesse sido o mesmo, eu aqui à meia noite abandonado e só, mas o meio com toda certeza não teria sido tão vago, tão decepcionante, certamente eu teria sido mais feliz.


No final o que importa é isso, não dá para pensar a liberdade apenas como sair por aí, o planeta é redondo, ela tem mais relação com permitir que você seja você mesmo.


Se você achou que essas horas da minha madrugada foram dedicadas a fazer sermões desconexos e loucos para você, procure um psicólogo, você é problemático, se não se cuidar vai acabar além de sozinho, louco. Eu não preciso mais me dedicar a ninguém, já fui submisso a vida inteira e não quero mais rugas por causa do que não vai mudar.


Mas se por outro lado, você quiser testar sua liberdade, pense na pessoa que lhe acompanha, ela diz que te ama, mas te domina, te quer preso, manipulado, pense no quanto ela te faz refém, você duvida? Então tente se libertar e verás que realmente é refém. Hoje vejo que nunca mais serei livre, todas as noites os medos me atormentam, só porque eu não me impus, o ciúme beirava tragédias e como eu me mantive submisso, deixei-me ser parasitado.


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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nem anjo, nem torto...



por Marco Salazar

"é melhor morrer de pé do que viver de joelhos."

Emiliano Zapata

Quando eu nasci, não vi nenhum anjo solicitar qualquer comportamento revolucionário. Eu nunca vi anjo. Mas me disseram que os anjos estão em toda parte nos protegendo. Se eu fizer uma revolução para dar cabo da miséria e gerar sustentação decente aos pobres, os anjos me protegerão.

Mas os anjos também protegem os grandes empresários que se valem das filas de desempregado para estabelecerem suas próprias CLT. Dizem que os anjos protegem sem tanto critério de seleção. Não se pode negar a ninguém o direito de ter um anjo.

A humanidade não enxerga anjos e teme revoluções. Fala-se de paz, como se houvesse paz nesse turbilhão. Corre-se da briga, do sangue, como se fosse possível superar um mal sem dor. Acredita-se em igualdade de chances a todos.

Para vivermos em paz, haverá uma guerra entre os anjos. Lá, em outra dimensão, as flechas usadas para as paixões atravessarão envenenadas as testas com cachinhos dourados, sangrarão peitos numa carnificina angelical que não traumatizará a humanidade. Acho que os bons vencerão.

Uma parte da legião está trabalhando e muitos estão parados. Fui convencido de que deveria esperar a revolução dos anjos. Como não se faz revolução sozinho, nem silenciosamente, espero que os anjos dêem um sinal.

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Olhos sobre os vales



por Luís César Padilha

Apesar de não ter vivido assim, foi de se atrever que se fez homem. Não se ouve daqui o sussurro. Nem se faz coro com dores. Foi das mãos que livraram as luzes e com as mãos as acenderam para que se vissem nos olhos do outro. As estradas não convencem os transeuntes. Quando os olhares atravessarem fronteiras, farão do riso o sabor do presente.

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ilustração: Andrea Penteado em www.andreapenteado.com/files/waquarela_risos

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Cadência atrevida



por Luís César Padilha

Não vi apagar a luz que se acendeu para um dia. Flores e frutos em desordem com as cortinas do ocaso. A água se resumira em nuvens e os galhos desnutridos adormeciam entre pedras. Os pés carregaram a poeira. A sirene interrompeu o sonho.

As desestruturas não são abaladas pelas matrizes enferrujadas. Entre meus eus se vão histórias. Entre o passado e o futuro, encontro-me comigo em mais um eu. Não se impedem os desencontros. Não se afloram reencontros. As estruturas são novas.

Dentre as cotas da orbe, os reis querem a cidade. Dentre as angústias das flores, os reis querem a beleza. Dentre as fraquezas humanas, os reis querem riqueza. Dentre todas as coisas, os reis querem felicidade. Sei, sem ser rei, que a felicidade sorri.

O amargo não fere. A imponência do dia-a-dia é uma exigência do futuro. E o novo parece velho.

As trilhas são o distanciamento da sirene. Os sonhos não serão interrompidos.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mal instável ronda nosso afastamento


por Marcelo Souza

Ela é caminho e canteiro
é cravo e seu cheiro,
é pedaço de paisagem, é poente inteiro.
Menina do sertão,
aquela que nunca antes
tivera visto tanto verde.
Encanta o vento que sopra maneiro,
que é companheiro em toda madrugada.
Feito avesso à revoada,
voou para o frio, suor e medo.
Em quais segredos que não foram feitas toadas,
perto dela as angústias parecem atenuadas,
tudo é santo e natural, eterno e ligeiro.

E até a água que representa vitalidade
Quis ser maior parte no seu ser,
ser mais vida no que já é vida,
reafirmando uma divindade elementar
e, diante dessa emoção,
a água foi-se, por desatenção,
pôr em seu órgão de pensar,
arriscando a razão de muita alegria,
sua existência, dádiva natural.

Assim, o que era apenas pedra no canteiro,
sente frio nos pés como quem perde um pedaço.
Sinto a culpa pois não te dei aquele abraço
E, mesmo se desse, jamais ele seria,
nem mesmo de longe, como um grande passo
de celebrar a novidade, esse desabafo
de estais viva mais esse dia.

Marcelo 10/11/2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

OS MENINOS BRINCAM


Olhava filhotes de porcos criados nas ruas. Eles brincavam. Não apresentam sinais de sofrimento. Parecem rir. Disseram-me que até mesmo inimigos naturais podem brincar quando são ainda filhotes - seria o caso do leão com o veado.

A essência da criança é o sorriso. O riso é sempre a face da criança. Mesmo que o momento não seja o melhor.

Os meninos brincam
(Luís César Padilha)

Só morrendo para descansar.
Sua sede aumenta em frente ao mar.
O céu estrelado nega a chuva,
Mais uma beleza atroz.
E os meninos brincam na poeira.

Tem lodo na lágrima e no suor
E a pela marcada pelo sol.
A velhice precoce aparenta fraqueza,
Engano do olhar que despreza o que for essência.
Com pau, com pedra e muita coragem,
Não foge se tem que lutar.
E os meninos brincam de herói.

Estão cumprindo toda a sua sina
Desafiados pela própria vida.
Amam o solo que só é umedecido
Por sereno suor e lágrima,
Sem parar de cantar.
A fome e a sede, repete-se a história,
Continuam a castigar.
E os meninos continuam a brincar.

No Nordeste os heróis nascem com a agonia na rotina e com a superação nos músculos. Riem porque são heróis.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Para Márcia






por Luís César Padilha

A perda de alguém querido vem sempre acompanhada de muita reflexão. A saudade e o peso religioso da morte sempre nos atiram nos páramos das dúvidas. As forças que movem esse mundo ficam mais nítidas. As explicações se tornam mais óbvias. E tudo também pode ser o contrário.

Retornar ao final dos anos de 1980, de 1987 a 1989 para ser mais preciso, trouxe para meu convívio uma baixinha retada de olhos verdes expressivos e com uma habilidade para "resolver as coisas" invejável. Desde o primeiro contato, ela já se dizia jornalista e com precisão buscou sua escolha. Simulávamos situações comunicativas, eu, ela e Fariseu, três sonhadores, ou melhor, dois sonhadores e uma guerreira. Queríamos escrever bem. Márcia queria viver.

Autora dos aniversários do fim de semana, uniu a turma. Éramos em 1989 uma família muito bem comandada. Nossa matriarca me deu cinco aniversários em um só ano. E vivemos nas festinhas juvenis trocando sorrisos por piadas e curtindo os namoricos pueris de nosso tempo.
Aprendi a ler poesia. Consegui me ver poeta. Fariseu e Marcinha me fizeram acreditar na acessibilidade da criação artística. Eu que tinha em Renato Russo o máximo da expressão poética, agora conhecia Caetano e Gil, além de acrescentar as cantorias e outras vanguardas brasileiras em meu repertório.

Eu e Fariseu paramos na Faculdade de Letras da UCSal, enquanto Márcia foi direto à sua convicção: a Faculdade de Comunicação da UFBA. Rapidamente se estabeleceu no meio jornalístico soteropolitano, fazendo valer sua garra e sua segurança.

Depois da escola, em 1989, encontrei poucas vezes Márcia. Sempre a vi envolvida nos trabalhos regularmente. Foram quatro encontros talvez, mas em todos os encontros ela era a mesma amiga preocupada com todos, querendo rever todos.

Hoje, tentando descansar escutando as notícias de futebol, Mário Freitas, cronista da Rádio Excelsior da Bahia, me surpreende com a notícia do falecimento de Márcia Rodrigues, como que houvesse necessidade de me dizer. Não consegui mais dormi. Perguntei a mim mesmo se era ela. Fui ao único contato possível e, no orkut, ela já recebia mensagens de saudade.

Abrir as páginas do perfil de Márcia Rodrigues reflete o que ela foi.

http://www.orkut.com.br/Main#Scrapbook.aspx?rl=mo&uid=6828088171699189096

O melhor dela continua aqui.

Todos sabemos que ela não lerá, mas todas as mensagens traduzem a amiga, a matriarca. Para mim, o susto tinha que se transformar em homenagem. A passagem rápida dela por aqui merecia esta reverência.

Eu a reverencio.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ENCOMENDA DE AFINS


Andava reflexivo com relação aos sucessos de relações amorosas. Via um misto de acaso e cálculos construindo cada ato de um jogo sem vencedores e sem esquema tático. Os vai-e-vem confundem os quereres. As escolhas desrespeitam as vontades mais profundas e atendem os apelos de uma parte.

Mexendo distraidamente no violão, as notas combinaram uma sonoridade e fui em busca dos acordes. Encontrei. Solfejei. Procurei palavras que traduzissem meu instante. Pensei no que disse e no que via na vida de um amigo. Ele amava, mas se desarmava. Entregava-se aos anseios mais elementares do viver machista paternalista. Ele esperou.


Encomenda de afins

(Luís César Padilha)

Tanto pra ser um fim que o mundo lhe ofereceu,

quanto pra viver um triz antes do retorno ao breu.


E foram tantas vezes vida,

tantas noites lidas,
e manhãs de amor,

em corpos de perfume insano,

copos de outros planos,

traços de tremor.


Foi pra ser feliz e o acaso lhe negou.

Insistiu em um assim sem segredos sem mentor.


E foram tantas vezes vida,

tantas noites lidas,

e manhãs de amor.

Seu corpo tem um sopro novo,

e o seu beijo probo
é reiniciação.


Lá vem a força ingrata

soprando o vento de um tufão

e o fogo de um carnaval.


Engolimos outra dose,
embriagamos com o grito solar,

pra aceitar o novo dia
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Chegada a outra noite,

seu beijo me entenderá

e reiniciará os sentidos.



Um colega leu os versos e, quando indagado sobre a qualidade, comentou:


- é... a vida sempre traz novas vidas... e um beijo pode reiniciar tudo.

Não respondeu, mas disse o que eu precisava ouvir. Assim eu me encontrei em Encomenda de afins. Estou diante de novos sentidos para a vida e de novas vidas para os sentidos.

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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Curiosidades: O Sistema Solar

por Marcelo Silva



A explicação que atualmente é a mais bem aceita sobre a origem do sistema solar é conhecida como: Hipótese Nebular, desenvolvida em 1796 pelo físico e matemático francês Pierre Laplace, baseada nas idéias do filósofo alemão Emanuel Kant.

A Hipótese Nebular consiste em justificar a formação do sistema solar a partir de uma enorme nuvem de gás interestrelar que possuía um movimento rotatório. Essa nuvem é chamada de Nebulosa Solar.

A Nebulosa Solar, que era formada de gás e poeira de elementos químicos injetados no universo por reações produzidas em outras estrelas. Quando esse gás e poeira foi se aglomerando na gigantesca nuvem que girava, foi ocorrendo uma espécie de agrupamento dessas partículas, chamado de colapso, que se deu por ação da gravidade da própria nuvem e à medida que a nuvem colapsava, ou seja, que as partículas se uniam mais, sua rotação aumentava – algo muito parecido com o aumento da rotação de uma pessoa que gira sentada de braços abertos em uma cadeira giratória e tem a velocidade de rotação da cadeira aumentada quando encolhe os braços – com o aumento da velocidade de rotação a nebulosa foi adquirindo forma de “disco” o que justificava o fato dos planetas girarem em torno do sol no mesmo plano e na mesma direção.

A concentração de gás no centro da nebulosa solar daria origem ao sol, já os planetas se formariam do material que compunham o disco. Após o colapso da nebulosa apenas sua região central manteve altas temperaturas e o resfriamento das regiões periféricas da nebulosa implicou na condensação rápida do material que formou aglomerados de composições distintas que viriam a dar origem aos planetas.

Estes aglomerados iniciais que ficavam nas regiões mais próximas ao centro, perderam suas substâncias mais voláteis devido às altas temperaturas, nessas regiões formaram-se os planetas conhecidos como terrosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) nas regiões mais distantes do centro do colapso as baixas temperaturas dariam origem a planetas onde até mesmos substâncias muito voláteis se condensavam, esses aglomerados deram origem aos planetas gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno).

Algumas características do Sol

O Sol é composto prioritariamente por aproximadamente 91,2% de hidrogênio (que ele utiliza como “combustível”), 8,7% de Hélio e 0,1% de Oxigênio e Carbono. Tem uma massa de 1,98 .1030 kg, o que equivale a mais ou menos trezentos e trinta e três mil, quatrocentas e trinta e duas vezes a massa da terra. È de fato uma esfera de gás quente que tem um diâmetro de aproximadamente 12,92 .105 km , só para ter uma noção esse diâmetro seria mais de três vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Algumas Propriedades dos Planetas do sistema

Existem algumas propriedades que permitem conhecer melhor os planetas do sistema solar, essas propriedades seriam

  • A massa do Planeta; que pode ser calculada aplicando as leis de Newton e de Kepler. A massa do planeta tem relação direta com a sua influência no resto do sistema. O número de satélites que tem o planeta, o período de translação do planeta, as marés, tudo isso depende da massa do planeta.

  • Composição Química; que pode ser estimada a partir da densidade média do planeta – a composição química de um planeta revela sua capacidade de reter energia via efeito estufa, o que influencia na temperatura do planeta.

  • A distância do planeta ao sol; que é medida atualmente com o uso de radares, e determina a média da temperatura efetiva do planeta, pois a maior parte da luz que chega aos planetas provém do sol e como a temperatura depende essencialmente da luz a densidade dessa radiação depende da distância, ou seja, quanto mais perto um planeta está do Sol mais quente ele deve ser.

Alguns outros corpos

O Sistema Solar não é composto apenas pelo Sol e os planetas, fazem parte dele também uma enorme quantidade de corpos menores, que fogem ao propósito desse texto tratar detalhadamente, mas, como exemplos, temos os planetóides, asteróides satélites, anéis e cometas.

Tributo aos errantes

O termo planeta se refere àqueles corpos que vagam sem rumo. Na época que estes corpos receberam a denominação de planeta não se compreendia claramente seus movimentos aparentes no céu. Mas os grandes viajantes do sistema solar talvez sejam na verdade os cometas. Eles têm uma órbita elíptica muito excêntrica, quando estão no periélio (região mais próxima do Sol) suas órbitas podem se aproximar das órbitas de Vênus ou até Mercúrio, e quando estão no afélio suas órbitas ficam muito além da órbita de Plutão.

O Mais conhecido dos cometas é, sem duvida, o Cometa Halley, que leva o nome de um célebre astrônomo britânico, amigo de Newton, que em conseqüência da teoria da gravitação newtoniana propôs que os cometas também estariam presos ao sistema solar. Halley predisse que os cometas que apareceram nos anos de 1531, 1607 e 1682 eram na verdade o mesmo cometa, ele ainda previu o retorno do cometa para dezembro de 1758, porem não viveu o suficiente para ver se confirmar sua previsão.

O Cometa Halley tem período de aproximadamente 75,5 anos e a última vez que ele teve ao alcance de “olhos terrestres” foi em 1986, você arrisca prever a próxima aparição?



Bibliografia:

TARSIA, R. D; Astronomia Fundamental –Ed. UFMG, Belo Horizonte 1993.

NUSSENZVEIG, M; Curso de Física Básica - 1 Mecânica – Ed. Edgard Blücher. 1998

MACIEL, W. J; Astronomia e Astrofísica- Curso de extensão universitária – IAG/USP 1991




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terça-feira, 24 de junho de 2008

CAMINHO


por Claudinei Romão

Os passos são curtos
Curtos e firmes
Nenhum passo é igual

As pedras são vencidas
Uma a uma sem pressa
E mesmo as que foram
Ou serão vencidas mais
[de uma vez
Não serão as mesmas
Pois, elas são como as Ruas
Uma eterna mutação

Os passos, as pedras e as ruas
São literalmente iguais a mim
Curtos e firmes
Vencidos e mutáveis

Os caminhos percorridos
São únicos e fidedignos
Cada passo é um passo
E mesmo os caminhos e as pedras
Da minha rua toca-me
Igualdiferencialmente


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quinta-feira, 19 de junho de 2008

A SALVAÇÃO


por Claudinei Romão

Ela está chegando
Tão fria e cinza
Tão bela e poente

Eu a sinto como salvação
Eu vejo-me nessa névoa cinza

Tu és a cura do fracasso
Tu és a sede do alcoólatra
Tu vês o escuro do sol
Tu vês o paraíso de Hades

Sou igual a ti
Oh! Ser supremo
Impávido e risonho
Solidão do eu.

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terça-feira, 27 de maio de 2008

Donana e os piratas


por Luís César Padilha

Uma conversa, uma sentença, uma angústia. Donana disse que na loja do marido dela não venderia meu cd porque ele é pirata. Pirata? Sou responsável pela perda financeira de compositores, músicos, cantores, advogados, funcionários do ECAD, grandes gravadoras? grandes gravadoras... leio e escuto a todo momento que pirataria é crime... sou criminoso, grandes gravadoras?

Componho desde o 17 anos, período que comecei minha relação amorosa com as cordas. De lá pra cá, tenho compostas mais de 50 músicas. É um número pequeno para os 18 anos que se passaram, mas se medirmos o tempo destinado a essa dedicação, veremos que fiz mágica. É que há 15 anos divido a música com a educação e quem trabalha em educação sabe o tempo que ela toma da gente.

Donana não quis fazer nenhum tipo de retaliação. Ela foi apenas a voz da fiscalização. Raras são as leis fiscais escritas com interesse de valorizar o homem comum. O alvo de benesses legislativas sempre foi a pecúnia. Nas artes, a pecúnia está com a burguesia, desde o Renascimento, e ela continua ditando estéticas. Quem resiste ao mercado, fica à margem, no "underground", divulgado em pequenos grupos, no meio que Lobão denominou "Universo Paralelo".

O cd da Parnaso da Modernidade saiu, gravado música a música, após 6 anos de divulgação "underground". As capas foram produzidas com papel metro e impressão em computador caseiro. Os encartes foram impressos com ajuda de uma gráfica amiga, a Gráfica Rochedo, como cortesia. A impressão no corpo do disco é feita com carimbo. Tudo para não depender de grandes corporações, para manter íntegra a proposta artística. Conseguimos colocar nosso cd na praça, para vender mais ou menos duzentas cópias, sem precisar ser moldado, sem reverenciar os burgueses.

Quanto à pirataria, Donana equivocou-se em seu conceito. Seria pirataria se eu estivesse me beneficiando financeiramente da criação de outro. Eu não utilizei nenhuma criação de outro, a não ser poemas de domínio público, com direitos autorais liberados. Mas a indústria da música deve estar se mobilizando para impedir que o mercado fonográfico se torne dependente dela. Com o poder financeiro, ela conseguirá.

Particularmente, eu gostaria muito que alguém resolvesse fazer cópias do cd da Parnaso e espalhasse pelo mundo. Essa frase pode ser lida como um pedido.

E torço para que Donana curta nosso cd. Queremos muito continuar produzindo nossa arte sem interferência da indústria cultural, dentro do nosso universo, vendendo de mão em mão. Enquanto originalidade significar se vender para as indústrias, seremos corsários... e amaremos Donana.

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Quatro cantos de sonhos invioláveis


por Luís César Padilha

Novas circunstâncias entortam as pautas. O novo enredo é velho tormento. As chegadas me esvaziam. Quanto devo ser, enquanto me desentender, está proporcional ao que vou fazer no meu mundo e no mundo do outrem.


Os sonhos iniciados nos segredos de um olhar ao nada não são vividos isoladamente. Os sonhos não são tortos.

* * * * *

Na fuga dos espinhos, a rosa se chocou com a mão. De pétala em pétala, tentando resistir, ela se transformou em gotas de um vinho acre. Assim atraiu o desejo. Assim fez cair em riso pueril. Fatal. Fetal.

* * * * *

Sopraram fragrâncias para cá. Busquei em sóis e luas, em flores e corpos, em sombras e acasos... Só pude encontrar comigo. E nem tentei me esconder de mim. Foram os passos, os traços, as graças que me impuseram uma via. Caminho. Vou. Estarei. Mais algumas luas, entenderei. Mais alguns flagrantes, reiniciarei.

* * * * *

Os encontros explodem em coincidências, acasos e destinos. Quem não sonhou perdeu seu compasso. Quem não reuniu perdeu-se do mundo. Quem não se isolou perdeu-se de si. E não esteve em um dos quatro cantos gritados na estrofe.

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