
Andava reflexivo com relação aos sucessos de relações amorosas. Via um misto de acaso e cálculos construindo cada ato de um jogo sem vencedores e sem esquema tático. Os vai-e-vem confundem os quereres. As escolhas desrespeitam as vontades mais profundas e atendem os apelos de uma parte.
Mexendo distraidamente no violão, as notas combinaram uma sonoridade e fui em busca dos acordes. Encontrei. Solfejei. Procurei palavras que traduzissem meu instante. Pensei no que disse e no que via na vida de um amigo. Ele amava, mas se desarmava. Entregava-se aos anseios mais elementares do viver machista paternalista. Ele esperou.
Encomenda de afins
(Luís César Padilha)
Tanto pra ser um fim que o mundo lhe ofereceu,
quanto pra viver um triz antes do retorno ao breu.
E foram tantas vezes vida,
tantas noites lidas,
e manhãs de amor,
em corpos de perfume insano,
copos de outros planos,
traços de tremor.
Foi pra ser feliz e o acaso lhe negou.
Insistiu em um assim sem segredos sem mentor.
E foram tantas vezes vida,
tantas noites lidas,
e manhãs de amor.
Seu corpo tem um sopro novo,
e o seu beijo probo
é reiniciação.
Lá vem a força ingrata
soprando o vento de um tufão
e o fogo de um carnaval.
Engolimos outra dose,
embriagamos com o grito solar,
pra aceitar o novo dia.
Chegada a outra noite,
seu beijo me entenderá
e reiniciará os sentidos.
Um colega leu os versos e, quando indagado sobre a qualidade, comentou:
- é... a vida sempre traz novas vidas... e um beijo pode reiniciar tudo.
Não respondeu, mas disse o que eu precisava ouvir. Assim eu me encontrei em Encomenda de afins. Estou diante de novos sentidos para a vida e de novas vidas para os sentidos.
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Mexendo distraidamente no violão, as notas combinaram uma sonoridade e fui em busca dos acordes. Encontrei. Solfejei. Procurei palavras que traduzissem meu instante. Pensei no que disse e no que via na vida de um amigo. Ele amava, mas se desarmava. Entregava-se aos anseios mais elementares do viver machista paternalista. Ele esperou.
Encomenda de afins
(Luís César Padilha)
Tanto pra ser um fim que o mundo lhe ofereceu,
quanto pra viver um triz antes do retorno ao breu.
E foram tantas vezes vida,
tantas noites lidas,
e manhãs de amor,
em corpos de perfume insano,
copos de outros planos,
traços de tremor.
Foi pra ser feliz e o acaso lhe negou.
Insistiu em um assim sem segredos sem mentor.
E foram tantas vezes vida,
tantas noites lidas,
e manhãs de amor.
Seu corpo tem um sopro novo,
e o seu beijo probo
é reiniciação.
Lá vem a força ingrata
soprando o vento de um tufão
e o fogo de um carnaval.
Engolimos outra dose,
embriagamos com o grito solar,
pra aceitar o novo dia.
Chegada a outra noite,
seu beijo me entenderá
e reiniciará os sentidos.
Um colega leu os versos e, quando indagado sobre a qualidade, comentou:
- é... a vida sempre traz novas vidas... e um beijo pode reiniciar tudo.
Não respondeu, mas disse o que eu precisava ouvir. Assim eu me encontrei em Encomenda de afins. Estou diante de novos sentidos para a vida e de novas vidas para os sentidos.
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